Quando era pequena, o meu pai tentou (exaustivamente) convencer-me a ter aulas de aikido. “Não quero! Quero ser bailarina!”, protestava eu. “O aikido é quase uma dança,” argumentava o meu pai “vais ver que vais gostar.” Mas a Marta de 8 anos não queria saber. A Marta de 8 anos queria era lantejoulas, dançar em pontas e ser a Pequena Sereia. (A Marta do presenta revira carinhosamente os olhos perante esta reminiscência.)

Bem mais crescida, apaixonei-me por uma personagem de televisão porque era agente do FBI e não usava saltos, nem quilos de maquilhagem e muito menos decotes. Mas dava sopapos como gente grande. Anos mais tarde, apareceu a grande Lagertha – representada pela Katheryn Winnick, cinturão negro de taekwondo e karate e que chegou a ter três escolas de artes marciais.

se os heróis pousassem como as heorinas ©Kevin Bolk

Foi nessa altura que me apercebi o quão libertador é ver mulheres à porrada sem haver grande foco no facto de serem mulheres. Mas era só às vezes e só nas séries de televisão. Entre os infindáveis filmes de super-heróis que andam a aparecer como Lemmings, a escassez de heroínas que não sejam side-kicks é flagrante.

Eis que, de repente, sai a Sequência de Cenas Que Não Merece Ser Chamada de Filme, também conhecido como Batman vs Superman. E aparece a Gal Gadot, muito elegante, muito discreta – até ao combate final. Com tudo o que é mau naquele desastre cinematográfico, a entrada da Wonder Woman soube a alívio.

O novo filme da Wonder Woman também.

Não é de todo perfeito e já não tenho grande paciência para o enredo de deuses/extra-terrestres/mutantes (riscar o que não interessa) em guerra porque uns dizem que a humanidade é só escumalha e os outros até nos acham fofinhos. Mas o deleite, a catarse e o refrescante que é ver uma heroína com o papel principal a arrear mauzões em grande estilo – e a Princesa Prometida promovida a general – compensa todas as outras pequenas falhas.

E, apesar de não ter seguido o conselho dele na altura, cada vez mais me apercebo do importante que foi ter tido um pai que queria que a filha aprendesse a se defender sozinha.

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