Este livro é uma colectânea de contos disfarçada, tantas são as histórias que se entrelaçam, no tempo e no espaço. (*)

O tema principal é um sistema revolucionário de partida para o espaço: não com foguetes, mas… de elevador. Admitindo a produção industrial de uma nova fibra muito mais leve e mais resistente que o aço – e várias soluções estão presentemente em estudo nesse campo – Clarke imagina quatro fios estendidos de um satélite geostacionário para a Terra, e continuando, desse satélite, mais para o exterior ainda, um gigantesco tubo com centenas de quilómetros de altura… ou de comprimento, conforme a perspectiva de quem o olhar.

Esse tubo pode servir de gaiola para deslocar uma cápsula espacial que funciona como elevador, movida apenas pela corrente eléctrica que passa pelos fios, ou como canhão de lançamento de naves espaciais, reduzindo em muito a despesa de tais lançamentos.

Vários são os problemas de engenharia debatidos ao longo do livro, bem como questões políticas (o engenheiro inventor do fio é funcionário público, trabalhando numa EDP planetária, mas quer ser ele a controlar o projecto).

Engenheiros e budistas

Mas o principal problema de engenharia é de natureza religiosa.

Só existe um ponto ideal para ancoragem do elevador na Terra. Esse ponto ideal fica no topo de uma montanha, ao nível do Equador, situado num país inventado por Clarke mas que é uma cópia quase fiel do Sri Lanka. Sucede que no topo de tal montanha existe um mosteiro budista, com direitos ancestrais sobre o local e que não fazem qualquer tenção de abandonar o local.

Os problemas de engenharia do elevador cruzam-se com a história da origem do mosteiro, dando Clarke largas ao seu fascínio pela tradição e filosofia budista, à mistura com estudos sobre neutrinos que desenvolvem uma teoria, cara ao autor, segundo a qual o nosso Sol está prestes a dar as últimas (não se assuste o leitor: a nossa estrela dura ainda cerca de 1000 anos; depois… funde-se, e nós com ela).

Para temperar tudo isto, montes de citações, na maioria inventada pelo autor, com comentários sarcásticos sobre a nossa civilização, fazem de “As Fontes do Paraíso” uma viagem fascinante pela História do pensamento religioso e ético da espécie humana.

(*) editado em português pela Europa América

Artur Tomé

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2 thoughts on “As Fontes do Paraíso de Arthur Clarke

  1. Não sei, nunca vi, nunca fui…! O meu pai é que se esqueceu do “e” e de assinar o post – mas agora já deve estar tudo em ordem :).*

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