Leslie Charteris nasceu na Indonésia, educou-se em Inglaterra e aí começou a publicar os primeiros livros do Santo. Estávamos no início da década de 1920 e Simon Templar é uma espécie de Robin Hood que combate os mercadores da morte, como então se chamavam aos negociantes de armas. Elegante, anarca, tem a cabeça a prémio em vários países. Mais do que as histórias, é o humor muito british de Charteris que dá fama literária à figura do Santo.

Mais tarde, o Santo evita uma guerra, é amnistiado e passa a combater criminosos ricos, fazendo justiça pelas suas mãos. As parecenças com Robin Hood limitam-se a que ele também rouba os ricos maus. E fica-se por aí.

Depois Charteris instala-se nos Estados Unidos, naturaliza-se americano apesar de ser mestiço de asiático e branco, convive com Hemingway e Errol Flynn e enriquece com sucessivas adaptações ao cinema. O seu Santo vai-se civilizando no mau sentido, as aventuras épicas iniciais tornam-se em contos onde os adversários estão ao nível das Lili Caneças e falsos jet setters americanos, acabando a sua decadência criativa nas adaptações televisivas interpretadas por Roger Moore.

Dos seus livros, recomendo vivamente O Santo e os Diamantes Roubados para quem gosta de acção imparável e O Santo no Mar Alto para quem prefere suspense e romance. Todos editados na Colecção Vampiro.

Há dias descobri uma carta de Charteris que é um exemplo notável do seu sentido de humor.

How To Pronounce My Name

From A Letter from the Saint, May 9, 1946

Since I am sure you will all want to tell your friends about this wonderful service, [A Letter from the Saint] and since my name occurs so often in any intelligent conversation anyhow, this seems like a good time to start you off on the right foot in the matter of pronouncing my name.

When I picked myself this distinguished cognomen it never occurred to me that such a superficially simple arrangement of letters could be so easily butchered and mutilated. It is somewhat humiliating for what should by this time be a household word to hear itself so frequently pronounced as “Charteers”, “Sharteers”, “Shartroos”, and worse.

There is no trick to it at all if you relax. The “Chart” is pronounced exactly like “chart”, the thing you steer boats with. The “er” is pronounced exactly like “er”. Put them together and you get “Charter”, pronounced as in Magna. The “is” is the only catch, and should be articulated by placing the tip of the tongue behind the front teeth, if any, and exhaling in a sharply sibilant manner which should not however attain the dimensions of a whistle. If either tongue or teeth are not available, a fresh soda siphon may be employed to produce a similar effect.

For the benefit of those really fascinated by the subject, the British aristocracy, several of whom dangled from this family tree, pronounced the name, in their quaint way, as “Charters”; the “i” being silent as in monocle.

Artur Tomé

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