A trilogia em cinco volumes

Esclareço que escrevo este texto no pleno uso das minhas faculdades mentais. Não bebi, não fumei nem ingeri sob qualquer forma nenhum produto com efeitos psicotrópicos. Esta trilogia é que é louca por natureza.

The Hitchhiker’s Guide To The Galaxy é um projecto de Douglas Adams que começou como programa de rádio, passou a livro e se tornou uma lenda de culto que anda há que anos para ser adaptado ao cinema. Há por aí um trailer que não adianta muito…

A história é mais ou menos assim:

Algures no Universo, uma civilização decidiu criar um computador que pudesse responder à grande questão sobre Deus, o Universo e Tudo o mais. O projecto teve a oposição do Grémio dos filósofos e psicanalistas lá do sítio, que viam os seus empregos ameaçados. Mas, uma vez construído, o computador anunciou que, sim senhor, podia computar tal resposta mas que isso ia levar tempo – uns milhares de anos.

O tempo passou e, finalmente, o computador anunciou ter encontrado a resposta: quarenta e dois.

Só face a tal resposta é que se percebeu que ninguém sabia qual era a pergunta. E para a definir foi construído outro computador maior – a Terra – que processaria a resposta dentro de alguns milhões de anos.

Quando a resposta está prestes a ser calculada, uma esquadra dos terríveis Vogons, cujo comandante é manipulado pelo seu psiquiatra privativo, arrasa a Terra com um pretexto fútil.

Sobrevivem apenas dois terrestres: Arthur Dent, um trintão pató que é resgatado por um amigo de longa data, de seu nome Ford Perfect, que era afinal um ET que viajava pelo Universo à boleia: e Trillian, uma moça inglesa que partira tempos atrás com um namorado que era o Presidente do Universo e que viajava numa nave com um motor de improbabilidade ilimitada.

Mas a personagem mais admirável do livro é Marvin, um robot que é o mordomo do presidente. Marvin, superinteligente e superdeprimido está constantemente a ser abandonado milhões de anos no passado e no futuro, por esquecimento, pelos humanos que efectuam constantes viagens pelo tempo e acaba mais velho que a própria Criação .

Se fosse só isto, a obra seria relativamente racional. Mas há constantes deambulações do narrador que tanto fala duma civilização de seres de cinquenta braços que foram a única raça da galáxia a inventar o desodorizante antes da roda, como leva a tal nave com motor de improbabilidade ilimitada a um encontro com uma infinidade de macacos agarrados a máquinas de escrever que acabam de criar o Hamlet.

(continua no próximo número)

Como ler o Guia:

Tive a sorte de começar a ler a trilogia pelo segundo volume, o que recomendo vivamente. Tem a grande vantagem de resumir o que se passou no primeiro (o que, acreditem, é uma grande ajuda) e de tratar dos pontos fundamentais da linha narrativa.

O primeiro volume engonha um pouco, sente-se que o autor está a escrever sem fazer a mínima ideia do que vai acrescentar no parágrafo seguinte. Lá para o fim os heróis encontram-se com as cobaias que encomendaram a construção do Planeta Terra… Sim, estão a ler bem: em matéria de QI, os habitantes da Terra classificam-se, por ordem crescente, em terceiro lugar os humanos, em segundo, os golfinhos e em primeiro lugar os ratinhos de laboratório que estão a estudar os humanos enquanto os convencem que os humanos é que os estão a estudar a eles.

O terceiro volume é para esquecer: graças a uma viagem no tempo, voltamos à Terra dois dias antes da sua destruição mas tudo gira à volta de um jogo de cricket onde há uns postes que uns outros extraterrestres desejam, o que dá origem a uma guerra interestrelar tão confusa como o jogo que os bifes inventaram.

Passemos então do segundo volume para o quarto, o mais romântico e “feliz” dos cinco volumes desta trilogia. Arthur Dent apaixona-se e consegue ensinar a noiva a voar (sabem, aquela técnica em que saltamos e nos esquecemos de cair; é só apanhar o jeito). A Terra está de volta, mas é uma cópia que os golfinhos nos deixaram, com uma frase de despedida. “So long, and thanks for all the fish”.

Touching…

O quinto volume? Já o li na FNAC mas macacos me mordam se faço alguma ideia do seu conteúdo.

Por ordem de saída, os livros são os seguintes (à frente, a minha classificação de 1 a 5)

The Hitchhiker’s Guide To The Galaxy ####

The Restaurant at the end of the Universe #####

Life, the Universe and Everything ##

So long, and thanks for all the fish #####

Mostly Harmless ???

(Pan Books)

Artur Tomé

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